terça-feira, 12 de dezembro de 2006

adolescentes e SIDA - dados da investigação

Estudos recentes mostram uma elevada prevalência de comportamentos de alto risco entre jovens, tanto sexuais quanto relacionados ao uso de drogas, e consequentemente ao HIV/SIDA, devido, principalmente, a falta de percepção de vulnerabilidade, o que torna difícil à inserção de medidas preventivas.

A associação entre a bebida alcoólica e a busca pelo prazer sexual correlaciona-se com uma menor percepção de vulnerabilidade à SIDA.

Num estudo de âmbito nacional em jovens (11,13 e 15 anos, cuja média de idades se situa nos 14 anos), levado a cabo por Matos e Equipa do Projecto Aventura Social & Saúde (2003), numa amostra estratificada por regiões do país em escolas que incluíam os 6º, 8º e 10º anos de escolaridade, os resultados relacionados com os comportamentos sexuais dos adolescentes foram:

-76.3% referem não ter tido relações sexuais,
-são os rapazes que mais frequentemente afirmam já ter tido relações sexuais (33.3% para 15.0% no sexo feminino),
-também são os rapazes que afirmam ter iniciado a vida sexual mais cedo, à semelhança dos jovens mais velhos (38.6% dos jovens com mais de 16 anos).

Neste estudo foi possível concluir que os rapazes são mais vulneráveis ao risco do que as raparigas.


O preservativo é o método mais usado entre os adolescentes, no entanto a sua
não utilização está associada às seguintes crenças e preocupações:

-a percepção de que não estão em risco (a maior parte, 40%, admite que só existe alguma possibilidade de ser contagiado);
-a confiança que depositam no(a) parceiro(a) (48.7% considera que o uso do preservativo é mais adequado com parceiros ocasionais);
-acreditam na sua capacidade para reconhecer um portador assintomático pelo seu aspecto físico (11.9%);
-as preocupações sobre o que é que os outros pensam, as suas opiniões (amigos e parceiros);
-acreditam que o uso do preservativo faz diminuir o prazer associado ao sexo (22.5% considera que o preservativo torna as relações sexuais menos satisfatórias);

As crenças/preocupações têm um papel superior à informação sobre os benefícios ou vantagens do uso do preservativo.

orientações para os professores de alunos disléxicos

Orientações para a avaliação

- nos testes, apresentação de textos mais curtos, questões mais directas, leitura e explicitação das mesmas por parte dos professores;

- as provas de avaliação devem ainda ser mais curtas/opção por responder a menos questões ou por ter mais tempo para a respectiva realização;

- na apresentação dos enunciados é importante ampliar o espaço entre linhas, o espaço para a resposta , ter cuidado com a nitidez., etc .;

- nos testes e fichas de avaliação deve proceder-se à adaptação das instruções . As perguntas devem ter baixa complexidade morfo-sintáctica, semântica e lexical. Podem ser utilizados testes com respostas múltiplas, especialmente a inglês;

- recordar que leia atentamente os testes antes de os entregar;

- não cotação de erros ortográficos embora sejam naturalmente corrigidos;

- atender a que os alunos disléxicos tendem a construir textos mais curtos e pobres de conteúdo;

- diversificar os meios de avaliação, dando maior peso à oralidade;

- privilegiar a avaliação contínua, dado ser comum que os disléxicos tenham desempenho instável e com retrocessos.


Orientações para as adaptações curriculares

Para melhorar as condições de aprendizagem, sugere-se que o aluno:

- realize fichas de trabalho com tarefas bem definidas e estruturadas do conteúdo leccionado que poderá ser realizado em aula ou como trabalho de casa.;

- receba orientação do seu estudo através de guiões , checklists, objectivos, perguntas, etc.;

- receba informação específica antes dos teste por forma a orientar o seu estudo;

- seja ajudado na leitura de textos e instruções;

- antes da exposição oral da lição fornecer-lhe um resumo do tema a tratar ;

- escrever no quadro palavras-chave, a fim de ajudar a tomar notas durante as aulas apresentadas oralmente;

- na disciplina de Língua Inglesa , dada a sua maior opacidade, recomenda-se que seja enfatizada a relação entre a fonologia e a ortografia da língua em causa, de forma explícita. Os exercícios de aprendizagem devem ser muito estruturados e graduais, com aprendizagem de uma competência de cada vez e devem também visar a sobreaprendizagem, pois o jovem tem dificuldades em reter a informação verbal. Deve privilegiar-se a compreensão e expressão oral. Os objectivos de aprendizagem devem ser reduzidos e/ou modificados de modo realista.





Outras recomendações

- dar a opção ao aluno de ler ou não em voz alta em público.
- o aluno deve sentar-se perto do quadro e do professor
- a família deve apoiar o estudo, nomeadamente lendo o material de estudo, corrigindo os apontamentos e ajudando a fazer resumos.

estilos de comunicação e sexualidade-sessões

INTRODUÇÃO



Segundo Nuno Nodin, os jovens adultos (18-25 anos), constituem uma faixa da população bastante negligenciada nas intervenções para a educação sexual e simultaneamente com significativa necessidade das mesmas, atendendo às peculiaridades do processo de transição para a vida adulta, fase plena de ambiguidade, de factores de stress e de risco. Vejam-se as taxas de incidência de aparecimento de problemas psicopatológicos e da toxicodependência.

Enquanto psicóloga do Serviço de Psicologia e Orientação, trabalho com jovens nesta faixa etária numa escola profissional pública e vou considerá-los a população-alvo para a planificação de sessões de educação sexual.

Fala-se frequentemente que é necessário ir para além do dar informação em educação sexual- da necessidade de se desenvolverem competências, e de se abordarem os afectos. Assim, a minha planificação insere-se no desenvolvimento de competências generalizáveis também à relação afectivo-sexual: a comunicação assertiva.

Ser assertivo é importante para manter uma auto-estima positiva, usufruir dos próprios direitos e respeitar os dos outros e insere-se numa postura positiva face a si e aos outros num “ganho eu, ganhas tu”. A assertividade inclui não só a auto-afirmação, como a expressão de sentimentos “positivos” e “negativos”. Por estas razões deverá constituir tema da educação sexual nas escolas.


SESSÕES

nota: o número de sessões fica ao critério de quem implementar este pequeno programa.



OBJECTIVOS


Conhecer e diferenciar os três estilos de comunicação: assertivo, passivo e agressivo


Reconhecer sinais verbais e não-verbais de cada estilo de comunicação


Reflectir sobre as consequências do uso de cada estilo


Tomar consciência do grau de facilidade/dificuldade em exibir uma comunicação assertiva em função dos interlocutores


Saber usar um estilo assertivo de comunicação


Aplicar os conhecimentos sobre assertividade a situações afectivas e sexuais


Auto-avaliação das aprendizagens sobre assertividade


ACTIVIDADES/ESTRATÉGIAS

Visionamento de vídeo com pequenos diálogos ilutrativos de cada estilo

Apresentação da definição de cada estilo

Revisionando os vídeos, fazer listagem dos sinais

Debate sobre as consequências do uso de cada estilo, para o próprio, para o outro e para a relação ( enfatizar a atitude de ganhar- ganhar subjacente à assertividade)

Preenchimento individual de ficha de auto-avaliação e posterior debate com participação voluntária

Dadas algumas situações, imaginar um diálogo, dramatizá-lo e gravá-lo para autoscopia

Análise em grupo dos pontos mais e dos que é preciso melhorar

Identificar situações críticas nos relacionamentos: nas suas componentes afectivas e sexuais

Em grupo escrever diálogos assertivos para algumas das situações sugeridas anteriormente e dramatizá-las

Reflexão em grupo sobre as aprendizagens feitas

Resposta a questionário para avaliação dos progressos pessoais percebidos.



RECURSOS


Vídeo - sobre os estilos comunicativos

Acetato com a definição dos estilos de comunicação

Ficha com situações descritas; câmara vídeo

Ficha de auto-avaliação dos estilos de comunicação

Quadro da sala

Questionário elaborado para avaliação dos progressos pessoais percebidos

programa educativo- currículo escolar próprio

medida i) do D.L.319/91 de 23 de Agosto- currículo escolar próprio




Um programa educativo (PE) serve para orientar os intervenientes no processo educativo, facilitar a integração máxima do aluno em causa, assim como aumentar o seu sucesso escolar.

O currículo escolar próprio tem por base os currículos regulares, mas contém adaptações que consistem em:

- eliminação de alguns itens de algumas disciplinas;
- reforço de determinados itens ou de determinadas disciplinas;
- introdução de itens diferentes em certas disciplinas;
- modificação do tempo previsto para as aprendizagens.

Dito de outro modo, as adaptações curriculares poderão ser relativas a:

- objectivos/competências: selecção; sequência e prioridade;
- conteúdos: selecção; sequência e prioridade;
- temporização;
- avaliação: critérios e procedimentos;
- metodologia: actividades; organização e recursos.


A elaboração de um PE começa pela:

- determinação do que o aluno é capaz de fazer relativamente ao currículo;
- caracterização global do aluno: atitudes, interesses, relacionamento social, etc.


Um aluno com PE - currículo próprio partilha com a turma actividades, mas por vezes estará a usar recursos diferentes, ou a ter um reforço pedagógico prévio, posterior, ou simultâneo às actividades da turma.

adaptações curriculares



Sugestões para usar com alunos com necessidades educativas especiais e com outros alunos

MATERIAIS - Diagnóstico


-Identificação de problemas ao nível dos materiais impressos e não impressos

-O aluno não tem competências necessárias para lidar com o material


-A complexidade do material excede o nível de compreensão do aluno


-A complexidade linguística do material , como o vocabulário e a sintaxe, fazem com que o aluno não aceda ao seu significado


-A quantidade de informação é excessiva, sobrecarregando o aluno


-O formato e design dos materiais (gráficos, organização, clarificação, utilização de exemplos), dificultam a compreensão



MATERIAIS IMPRESSOS -adaptações

-Substituição dos textos por outros alternativos

-Utilização de técnicas de desenvolvimento de textos que incluam estratégias para aumentar a compreensão e reter a informação por mais tempo



exemplos:

-Gravar em áudio o material de texto

- Ler os materiais de texto em voz alta

-Trabalhar os materiais de texto em tutoria de pares

-Trabalhar com os alunos individualmente ou em pequenos grupos

-Fazer uma abordagem adaptando o nível de compreensão requerido pelo material ao nível de compreensão do aluno

-Desenvolver versões reduzidas dos textos para os adaptar ao nível de leitura dos alunos

-Simplificar os materiais existentes (vocabulário, expressões)



SUGESTÕES COM O OBJECTIVO DE MELHORAR A COMPREENSÃO DO MATERIAL DE TEXTO

-Explicar ao aluno os objectivos da leitura que lhe foi solicitada

-Ler previamente o texto

-Ensinar o aluno a usar aspectos do formato do texto como cabeçalhos, sublinhados, ajudas visuais(fig., etc.), notas introdutórias e o sumário do texto


-Utilizar um guião de estudo(conduzir o aluno através da leitura, levando-o a responder a questões relacionadas com as passagens do texto)


-Utilizar organizadores gráficos(ex. esquemas)


-Modificar o conteúdo das fichas de leitura ou diminuir o ritmo de leitura das mesmas


-Sublinhar os textos anteriormente para que o aluno saiba quais os pontos importantes


-Ensinar estratégias de automonitorização para ajudar o aluno a perceber e a questionar o que está a ler


-Adaptar as actividades referidas nos textos, reorganizando-as ou substituindo-as




SUGESTÕES PARA AJUDAR O ALUNO A RETER AQUILO QUE LEU

-Utilizar ajudas gráficas depois da leitura

-Sumariar, escrever alguns pontos importantes do texto, etc.

-Sugerir formas de preparação para os testes, tendo em conta os textos a usar

-Estimular a discussão dos conteúdos




ESTRATÉGIAS DE ENSINO-APRENDIZAGEM- adaptações



CUIDADOS A TER

-Localização do aluno na sala de aula (benéfico ficar na fila da frente)

-Ao apresentar nova informação ter cuidado com: estrutura, redundância, ritmo, envolvimento e entusiasmo ...

-Utilizar experiências multi-sensoriais

-Fazer adaptações nas tarefas de leitura quando necessário (ver quadros anteriores)

-Programar a aula de modo a haver mais intervalos ( ou mudanças de ritmo, de actividade etc.)

-Organizar as tarefas de modo a usar diversos métodos de ensino

-Providenciar maior número de explicações para os alunos com N.E.E., realçando os pontos importantes

-Usar tecnologias de apoio, tais como gravadores áudio, vídeo, computador.




ESTRATÉGIAS PARA FACILITAR A ESCUTA ACTIVA

-Os aspectos relevantes dos conteúdos devem ser apresentados através de repetições, ênfase vocal e indicação de pistas

-A informação deve ter significado, ser organizada de modo lógico

-A informação deve ser dada através de pequenas unidades

-Deve ser pedido “feedback” ao aluno

-As apresentações orais deverão ser acompanhadas por ajudas visuais

-O aluno deve ser lembrado que deve reflectir antes de dar uma resposta